Piratas invadiam contas de internautas
para quitar carros.
11/04/2008
Grupo detido em SP teria causado
prejuízo de R$ 450 mil somente na última
semana.
Agências de carros e despachantes estavam
entre 'clientes' dos crackers, diz polícia.
Quadrilha de quatro crackers (piratas virtuais
que invadem sistemas para roubar ou alterar
dados) presa na madrugada desta quarta-feira
(9) em São Paulo usava informações
bancárias roubadas via internet para
fazer o pagamento de contas de terceiros,
afirma a polícia.
O foco dos integrantes da quadrilha era o pagamento
de contas ligadas a automóveis, como
IPVA, multas e parcelas de carros comprados
a prazo. Os clientes do grupo - despachantes
e agências de carro, entre outros - solicitavam
aos crackers o pagamento de documentos com código
de barras, o que eliminava a necessidade de
transferências para outras contas.
Se o valor da parcela era de R$ 1.000, por exemplo,
os piratas cobravam cerca de R$ 300 e utilizavam
o dinheiro desviado de internautas para efetuar
o pagamento.
Pelo serviço, eles cobrariam 30% do valor
total a ser pago. Policiais da Delegacia de
Repressão a Roubos e Extorsões
do Deic (Departamento de Investigações
sobre Crime Organizado) ainda não sabem
o valor total do prejuízo, mas dizem
que somente na última semana as perdas
foram de R$ 450 mil.
Os suspeitos responderão pelos crimes
de furto qualificado e formação
de quadrilha, podendo pegar até 12 anos
de prisão. Os beneficiados pelas
ações dos piratas virtuais responderão
como co-autores desses mesmos crimes, segundo
o Deic. Somente no estado de São Paulo,
estima a polícia, há entre 20
e 30 agências de carros envolvidas no
esquema que funciona desde 2007.
A prisão em flagrante foi realizada em
um apartamento na Vila Curuçá,
na Zona Leste de São Paulo, que funcionaria
como “quartel general” dos crackers.
Como os quatro integrantes foram presos em flagrante,
eles não tiveram tempo de desligar as
máquinas ou apagar as informações
roubadas de internautas.
Os policiais puderam identificar o envio de
150 mil spams (mensagens não-solicitadas)
no último mês e o roubo de dados
referentes a 10 mil contas bancárias.
Dessas, 3 mil já haviam sido invadidas
pelos crackers.
“É a quadrilha de crimes via internet
mais organizada que já vi. Eles têm
pleno domínio dos conhecimentos de informática
e utilizam o que existe de mais moderno”,
afirmou o delegado Alberto Pereira Matheus Júnior.
Ele disse que a quadrilha vinha sendo investigada
desde janeiro deste ano, mas não quis
divulgar como os policiais chegaram até
os suspeitos.
Fonte: www.g1.com.br